Ter backups
João Mota - CTO | CMO
Não garante que a sua empresa está protegida

Um sistema de backup só tem verdadeiro valor quando garante a recuperação rápida da informação e permite assegurar a continuidade do negócio.

Durante muitos anos, a maioria das empresas fazia uma pergunta simples sobre a sua infraestrutura informática: "Temos backups?" Hoje, essa questão, por si só, já não é suficiente.

Num contexto em que ataques de ransomware, falhas de hardware, erros humanos e interrupções operacionais fazem parte da realidade das organizações, a existência de um sistema de backup empresarial não garante automaticamente que a empresa consiga recuperar rapidamente a sua atividade.

A verdadeira questão é outra: se amanhã perder todos os seus sistemas, quanto tempo demorará até conseguir voltar a trabalhar?

É a resposta a esta pergunta que determina a capacidade de recuperação de uma organização. E é precisamente neste ponto que muitas empresas descobrem que confundiram a existência de cópias de segurança com uma verdadeira estratégia de continuidade de negócio.

Um backup pode existir e, ainda assim, a empresa perder dias de trabalho

Imagine que a sua empresa realiza um backup todas as noites. À primeira vista, trata-se de uma excelente prática. No entanto, se ocorrer um incidente às 17 horas, toda a informação produzida desde o último backup poderá ser perdida. Isto inclui faturação, encomendas, alterações no ERP, documentos, emails e todo o trabalho desenvolvido pelos colaboradores ao longo do dia.

Na prática, realizar backups diários significa aceitar a possibilidade de perder até um dia inteiro de informação. Por isso, a questão mais importante deixa de ser "Com que frequência fazemos backups?" e passa a ser "Quanto trabalho estamos realmente dispostos a perder?"

Fazer backups é simples. Recuperar é o verdadeiro desafio.

Outro erro frequente consiste em assumir que, por existir um backup, a recuperação será imediata. Na realidade, restaurar sistemas pode demorar várias horas ou até vários dias, dependendo da infraestrutura, do volume de informação e da estratégia de recuperação implementada.

Durante esse período, a empresa continua a suportar custos enquanto vê a sua atividade comprometida. Os colaboradores deixam de conseguir trabalhar, a faturação pode ficar interrompida, o ERP torna-se indisponível e clientes ou fornecedores deixam de obter resposta. Em muitos casos, o impacto financeiro provocado pela paragem ultrapassa largamente o custo do incidente que lhe deu origem.

Mais do que perguntar "Conseguimos recuperar os dados?", importa saber "Quanto tempo estaremos parados até voltar a operar normalmente?"

Um backup que nunca foi testado é apenas uma suposição

Muitas organizações executam backups diariamente durante anos, mas poucas verificam regularmente se conseguem restaurar a informação com sucesso. Esta é uma das maiores fragilidades das estratégias de proteção de dados.

Um ficheiro pode estar corrompido, um servidor pode não recuperar corretamente, uma aplicação pode deixar de funcionar após o restauro ou o próprio procedimento pode depender de um colaborador que já não integra a empresa. Estes problemas raramente são identificados durante a execução do backup; normalmente só são descobertos quando a organização já se encontra em situação de crise.

Uma estratégia de recuperação após desastre só pode ser considerada fiável quando é testada regularmente e validada em condições semelhantes às de um incidente real.

O backup também pode ser comprometido

Os ataques informáticos evoluíram significativamente nos últimos anos. Atualmente, muitos ataques de ransomware procuram primeiro localizar e eliminar os sistemas de backup antes de encriptar os restantes servidores.

Quando os backups permanecem permanentemente ligados à infraestrutura, utilizam as mesmas credenciais ou não dispõem de mecanismos de proteção adequados, podem ser comprometidos juntamente com os restantes sistemas. Quando isso acontece, a empresa percebe demasiado tarde que, apesar de possuir backups, já não dispõe de uma forma eficaz de recuperar a informação.

O objetivo não é proteger ficheiros. É proteger o negócio.

Existe uma diferença fundamental entre proteger dados e proteger a continuidade da atividade. Enquanto os backups têm como objetivo preservar informação, uma estratégia de continuidade de negócio procura garantir que a empresa consegue continuar a operar com o menor impacto possível.

Para isso, é importante responder a questões como:

  • Quanto tempo pode a empresa estar parada sem comprometer a sua atividade?
  • Que sistemas têm prioridade no processo de recuperação?
  • Quando foi realizado o último teste de restauro?Os procedimentos de recuperação estão documentados e atualizados?
  • Os backups encontram-se protegidos contra ataques?
  • Existe um plano claro para recuperar toda a infraestrutura informática?

Responder a estas perguntas é tão importante como implementar o próprio sistema de backup, pois é essa preparação que determina a capacidade de resposta quando ocorre um incidente.

Conclusão

A existência de backups continua a ser um requisito essencial para qualquer organização. No entanto, um backup só cumpre verdadeiramente o seu propósito quando permite recuperar a informação certa, no tempo necessário e com o menor impacto possível na atividade da empresa. A maturidade de uma estratégia de proteção não se mede pelo número de backups realizados, mas pela capacidade de garantir a continuidade do negócio perante um incidente. Se nunca avaliou quanto tempo demoraria a recuperar os seus sistemas, quanto trabalho poderia perder ou se os seus backups já foram efetivamente testados, poderá estar a confiar numa sensação de segurança que ainda não foi validada.

Na Quantinfor ajudamos as empresas a implementar soluções de backup e recuperação que vão muito além da simples cópia de dados, garantindo maior disponibilidade, resiliência e continuidade do negócio. Se pretende avaliar a robustez da sua estratégia de backup e perceber se está realmente preparado para responder a um incidente, entre em contacto connosco através de info@quantinfor.com

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